Honrando as Origens da Minha Arte

Oi. Aqui é Izabel Pariz - artista visual. Artista timotense. Mineira. De Minas para o mundo. Artista desde 2010. Tem minha biografia aqui nesse site. Mas antes de tudo, peço, por gentileza, um pouquinho de sua atenção: essa foto acima é uma pintura que fiz há muitos anos e é uma longa história... É um estilo bem diferente da minha linguagem artística atual porque hoje sou uma artista retratista - do realismo ao hiper-realismo. Atualmente, faço desenhos a lápis de cor. No entanto, essa minha fase da arte africana faz parte da minha evolução e tem um lugar muito especial no meu coração. Afinal, nasceu da minha admiração sincera pela força e pela beleza da arte de matriz africana. É melhor se sentar que eu lhe conto tudo!
Por que fiz essas pinturas com tema afro (tão diferentes das que faço hoje)? Na verdade, foi um mergulho na arte de matriz africana e afro-brasileira. Durante muito tempo, fui completamente fascinada pela beleza estética e visual dessa cultura: a vibração das cores, a força dos grafismos e a riqueza das formas sempre me encheram os olhos. Alguns perguntavam: por que esse tema? Ficavam meio intrigados... Para mim, como artista, pintar sobre esse universo era uma forma de celebrar e expressar o encanto genuíno que eu sentia por essa estética tão viva.
E não são reproduções de nenhum artista, viu? São artes autorais. São criações baseadas em algumas pesquisas que fiz. Nessa mesma época, era "discípula" da querida artista visual Ângela Ataíde. Frequentava assiduamente as aulas de pintura em seu atelier e obtive muitas orientações em como explorar mais essas inspirações sobre a cultura africana.
Produção que vinha do afeto, do estudo e do respeito a essa beleza visual
Foi então que surgiu minha primeira série sobre o tema africano. São pinturas a óleo sobre tela. Algumas dessas obras foram expostas em vários países. E todas já fazerm parte de acervos particulares:
Série Africanos I a IX - 2011 a 2012 - representando o cotidiano de mulheres, crianças, guerreiros, dança e aldeia. Na última obra da série, comecei a incluir a cultura afro-brasileira: o "tambor de crioula" - uma importante manifestação cultural do Maranhão.
Começou a nascer uma nova fase

Essa mudança não aconteceu da noite para o dia. Como você viu anteriormente nas obras de guerreiros e mulheres, comecei com a temática africana mais étnica e clássica. Era uma pintura mais sóbria e figurativa.
Com o tempo, minha arte foi se transformando: as formas ganharam mais cor, os contornos ficaram mais marcados e o tema deu lugar a uma abordagem mais poética e contemporânea, como na tela da moça num cenário cheio de círculos e arabescos. Ali, o estilo já apontava para o grafismo e a vibração visual que mais tarde desaguariam no estilo Pop.
Uma série toda em tema Afro com um toque Pop
A partir da obra "Mulata Jabuticaba" acima é que tive a inspiração de trazer uma série em estilo mais lúdico. Foi aí que percebi como o meu traço estava mudando. Os contornos pretos ficaram mais marcados, a paleta de cores se tornou muito mais viva e os grafismos começaram a ganhar espaço. Essa obra foi uma das pontes mais importantes para que eu encontrasse essa linguagem Pop. E nasce, então, a série, toda em misto/acrílica sobre tela, que intitulei "Afro Brasil", em 2013:







Foi um sucesso! Todas as obras originais da série Afro Brasil retratadas aqui participaram de exposições. Além disso, já foram vendidas e, hoje, fazem parte de acervos particulares de todo o país.
Porém, muitas pessoas que não puderam adquirir as originais também queriam ter algo da série. Daí que tive a ideia de disponibilizar e democratizar a arte em forma de produtos para atender a todos de maneira mais acessível:
Produtos com impressôes da série

Sombrinhas para exposição estampadas com a minha arte - o estoque era limitado a poucas peças
Explorando novos personagens
A aceitação e a conexão com a série Afro Brasil, que trouxe a temática afro para o formato vibrante da Arte Pop, foram tão profundas que essa coleção se tornou uma fonte de inspiração. Serviu de ponto de partida para que eu me aprofundasse ainda mais nessa linguagem, criando uma sequência de novas obras dentro dessa mesma linha visual, repletas de cores chapadas, contornos marcados e muita brasilidade:
Algumas das dezenas de obras autorais criadas após a série Afro Brasil
Quando a arte ganha a sala de aula
Uma das experiências mais marcantes dessa fase foi ver minhas obras, tanto da série Africanos quanto da Afro Brasil, entrarem para o cotidiano escolar. Escolas de todo o país realizaram projetos pedagógicos, homenagens e releituras das minhas telas. Saber que meu traço e minhas cores ajudaram a despertar a criatividade de tantas crianças e adolescentes é algo que guardo com muito carinho. É um dos maiores reconhecimentos que eu poderia receber como artista.
Alguns registros de projetos escolares inspirados em meu trabalho desde 2014 - veja mais aqui
Além do acolhimento pedagógico nas escolas, vivi algo muito inusitado: uma escola de dança montou dois espetáculos inspirados no meu trabalho. Ver minhas cores e formas traduzidas em dança e movimento no palco foi uma das mais bonitas surpresas que a pintura já me deu:
Escola de Dança Na Trilha da Arte - MG
Sobre a mudança
Muitos me perguntam por que não continuei criando obras com a temática afro. A resposta passa por um momento de profunda reflexão na minha carreira...
A mudança aconteceu ao planejar algumas exposições fora do Brasil. Uma curadora internacional me fez uma provocação simples, mas profunda: a de buscar mais caminhos de descoberta através da Arte Pop e da Abstração.
Levei toda a bagagem de cores, ritmos, linhas e formas da temática afro que desenvolvi no meu início e... mudei a rota! Depois, da arte abstrata, fui parar na Arte Realista e Hiper-realista, que falei lá no comecinho desta página, pois senti vontade de desafiar meu olhar sob um ângulo completamente diferente que é a busca pela precisão absoluta no desenho.
Toda mudança faz parte da vida. Mas cada tela e cada experiência maravilhosa que tive através das séries de obras afro moldaram não apenas o meu traço, mas também a minha alma como artista.
Recalibrar a rota não significa abandonar o que passou, mas sim honrar o aprendizado. Hoje, ao olhar para o meu atelier, sinto uma gratidão imensa por cada fase vivida e uma alegria ainda maior pelo caminho que continuo a pintar. E com a certeza de que a beleza da arte está justamente na capacidade de nos reinventarmos.
Obrigada a todos que apoiaram as séries e a todos que as apoiam até hoje. Obrigada por fazerem parte desta jornada e por acompanharem de perto cada cor da minha história. E a você que ficou me conhecendo agora: seja muito bem-vindo(a)!

Deixo aqui meu Instagram: @izabelpariz
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